Nossa Deusa da música brasileira é mulher

O ano de 2015 foi um marco para vida artística da Elza Soares. Um ano marcado pelo sucesso do seu disco “A Mulher do Fim do Mundo” (2015), e a volta desse fenômeno à cena musical brasileira. Um trabalho autoral que renovou e reforçou a motivação dessa artista em transformar a sua arte em um ato político. Elza, essa mulher do fim do mundo, colecionou muitos prêmios com esse projeto. Ganhou o Grammy Latino, como disco do ano (2016) pelo The New York Times, além de outros prêmios musicais e técnicos de 2015 e 2016. Agora, ela roda esse país com a turnê “Deus é Mulher”, sendo mais. Muito mais!

Com uma carreira sempre pautada pela ousadia, seja pela maneira de cantar, pela atitude no palco ou pelas escolhas artísticas, Elza nos mostra ser uma mulher que ainda muita sede de luta. Em “Deus é Mulher”, ela exalta a energia feminina como a provedora dessa fase energética e sócio-política que vivemos atualmente. Coloca a mulher como uma entidade feminina responsável por gerar a vida, a energia, a arte, como em um útero materno. Um projeto que não deixa barato o seu discurso direto, contundente, global, porém com mensagens propositivas, de renascimento e esperança. De direção musical de Guilherme Kastrup, o álbum já é considerado uma surpreendente performance que supera seus últimos trabalhos. “Não vejo Elza cantando assim desde o disco Do Cóccix ao Pescoço”, afirma Kastrup.

Com 88 anos de idade e mais de 60 de carreira, Elza é só vitalidade artística. O álbum “Deus é Mulher” apresenta 11 faixas que transitam por gêneros diversos, como samba, frevo, rock, pop, bossa, rap e eletrônico, em arranjos sobrepostos por timbres arrojados, ruídos, distorções e dissonâncias, características desse núcleo criativo. Uma mescla de ritmos que se unem a letras de discurso forte, e atento ao que estamos discutindo na sociedade. “Eu acho que nesse momento o Brasil merece um disco assim, ousado, sem papas na língua, sem medo de dizer palavrão, de dizer o que pensa, ao que veio. Assim como A Mulher do Fim do Mundo, acredito que o disco vai servir de inspiração para outros artistas”, aposta a Elza.

Elza em todos os lugares
E o ano de 2018 foi um presente para os fãs de Elza Soares. Foi o ano que ela lançou a sua biografia oficial, escrita pelo jornalista Zeca Camargo, resgatando a sua trajetória da infância pobre ao sucesso, carregada de muitas alegrias e também tristezas. Foi, também, em 2018 que o musical “Elza” levou para o teatro a celebração da carreira dessa artista. As “Elzas”, interpretadas por Larissa Luz, Janamô, Júlia Tizumba, Késia Estácio, Khrystal, Laís Lacorte e Verônica Bonfim evocam a figura dessa artista, protagonista de um enredo repleto de acontecimentos, dificuldades e sobressaltos até a sua aclamação nacional e internacional. E não acaba por aí. O documentário “My name is Now – Elza Soares” (2018) trouxe o olhar e registro da diretora Elizabete Martins Campos, que acompanhou a artista durante três anos. Um registro que traz o olhar da própria cantora sobre a sua arte.

Para nós, um deleite!
Que ela seja muito mais. Que continue sendo essa deusa da música brasileira e permaneça nos presenteando com toda a sua ousadia, potência e arte. O público baiano, certamente, entende o motivo de Deus ser mulher aos olhos de Elza Soares.

______
A íris Produções promove o show “Deus é Mulher”, dia 12/04/2019, na sala Principal do Teatro Castro Alves. Para mais informações sobre o show  e compra de ingressos, [clique aqui].

Foto Divulgação: @callangolino